Entrevista Mostra Instrumental – Iconili


Foto: Flora Rajão

Dois dias após terem “quebrado tudo” nas comemorações do “Fela Day” em BH, o grupo é destaque no Parque Municipal com o convidado Sérgio Pererê. A percussionista Nara Torres fala sobre a diversidade da cena instrumental de Belo Horizonte e sobre o show na mostra neste sábado (21). O Iconili é um grupo em ascensão na cena independente do país, com uma mistura de rock, afro-beat e outros gêneros.Leia abaixo a entrevista com Nara Torres do Iconili

– Como está a carreira de vocês atualmente e quais os planos?

O ano de 2012 tem sido muito importante para o ICONILI. A banda começou o ano com 7 integrantes e foi agregando mais referências, até chegar a formação atual com 11 pessoas. Conseguimos estabelecer um cotidiano de muito trabalho, seja nos 3 ensaios semanais que fazemos, seja na enxurrada de emails que trocamos todos os dias para decidir questões de produção. Participamos de importantes festivais este ano e estreitamos o contato com o público, tocando em algumas casas noturnas da cidade. Somos responsáveis coletivamente pela gestão artística do nosso trabalho, coletivo em sua essência, e o ICONILI tem funcionado como uma fábrica muito produtiva, com suas 11 cabeças pensantes, atuantes e opinantes. A banda está preparando projetos de circulação, gravação e projetos mais ousados, que envolvem participações com alguns nomes importantes da música brasileira… Estamos em fase de mixagem de um EP com 5 faixas da safra atual, que será lançado no final do ano, Existe um clipe que está em processo de edição, do nosso novo single “O Rei de Tupanga”. E estamos nos preparando agora para três shows fora de BH, dia 01/11 no Rio (Circo Voador, Festival MOLA), dia 11/11 no Leblon Jazz Festival (no mesmo festival de nosso grande ídolo Mulatu Astatke) e dia 13/11 em São Paulo, no SESC Pompéia. E queremos voar! 

 

– Como vocês avaliam a atual cena da Música Instrumental em Minas? Fale sobre essa cena…

Belo Horizonte é uma cidade que alimenta a alma dos amantes da música. Sou do interior (onde as opções culturais ainda são escassas, estão melhorando mas precisam melhorar mais), vivo aqui há 9 anos e sempre senti isso. Mesmo com as dificuldades impostas pela atual gestão municipal para a realização de eventos gratuitos nos espaços públicos da cidade, é frequente, constante e regular a realização de festivais, mostras, encontros nos quais o público pode apreciar música de muita qualidade. Aqui existe uma tradição musical, até por sermos, na minha opinião, uma terra de passagem, situada entre importantes estados do Brasil… são referências diversas que se encontram pelas esquinas de Minas… onde somos apreciadores e praticantes da cultura popular nordestina, das tradições cariocas, das vanguardas paulistas, das harmonias mineiras, das novidades estrangeiras, de tudo o que possa haver de híbrido entre estas escolas… acredito que a atual cena instrumental de Belo Horizonte reflete isso: o caldeirão cotidiano de informações e referências em que estamos imersos na vida contemporânea. Temos na cena instrumental de Belo Horizonte trabalhos muito diversos esteticamente (como por exemplo as bandas Iconili, Dibigode, Frito Na Hora, Diapasão, Misturada, DelegasCia,  Sharawadji, Brascubazz, DJUN…) mas que de alguma forma estão sempre dialogando e se contagiando mutuamente de referências e possibilidades, nesse diálogo de alteridades e identificações que é a arte. E “se o rádio não toca, a música que você quer ouvir”, temos hoje a internet para circular e valorizar toda essa competente produção que acontece por aqui.

 – A Mostra Nova Música Instrumental tem a proposta de ocupar os parques da cidade, realizar piqueniques, bicicletadas, ações de convivência, eventos gratuitos no espaço público … Como é para vocês, como artistas, participar de um evento com essa proposta? 

Maravilhoso! O Parque Municipal é um espaço lindo da cidade que nos convida a reflexão… por que não aproveitamos tanto estes lugares em BH? Por que não fazemos tantos piqueniques, encontros gratuitos, por que não curtimos nossas praças? Será uma questão cultural ou será uma falta de incentivo e estrutura para que a população possa, de fato, ser dona de sua cidade? É importantíssima a realização de eventos como este, tanto pelo convite ao deleite da cidade em que vivemos, quanto pela estrutura que pode oferecer ao artista, que, apesar da aparência glamourosa, cotidianamente sofre bastante estando a mercê de empresários e donos de casas de shows –  que comem parte da bilheteria, cobram um ingresso caro, vendem uma bebida cara para o público e deixam o músico na pior! Viva os festivais na rua, com cachê digno para os artistas e entrada gratuita para o público! Acredito que o caminho é esse mesmo…

 

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MOSTRA INSTRUMENTAL

Música, convivência, piquenique, improviso e espontaneidade nos parques de Belo Horizonte

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